Linha especial para folha de PMEs atendeu 9,4 mil empresas, diz diretor do BC

A linha emergencial para a folha de pagamento de pequenas e médias empresas atendeu cerca de 9,4 mil empresas e 124,2 mil empregados até 27 de abril, de acordo com apresentação do diretor de fiscalização do Banco Central (BC), Paulo Souza, sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF). A apresentação dele indica que a linha forneceu R$ 156,4 milhões no período.

Souza apontou, no entanto, que a linha de empréstimos encontrou dificuldades em abril, o seu primeiro mês de funcionamento. “Realmente, no mês de abril, boa parte da folha [das empresas] já tinha sido fechada. Muitas empresas não tinham o produto nos bancos. A parte operacional do produto não é tão simples”, disse em entrevista coletiva, destacando que ” alguns bancos só conseguiram colocar o produto na prateleira a partir do dia 20″.

A tendência, de acordo com o diretor do BC, é que a linha ganhe força partir deste mês, embora ele tenha admitido que “de fato você pode ter algum tipo de frustração das medidas”. Mesmo assim, garantiu que a autoridade monetária irá ajustá-las caso julgue necessário. “Vamos acompanhar e, se necessário, fazer os devidos acertos”, afirmou.

O diretor também mostrou o balanço de outros medidas implantadas pelo BC para combater a crise. Ao todo, 18 bancos se inscreveram na janela de abril para empréstimos com lastro em Letras Financeiras (LF) garantidas, com os ativos garantidores somando cerca de R$ 45 bilhões. As liberações terão início em maio.

Além disso, até 27 de abril, 41 instituições financeiras já emitiram R$ 1,5 bilhão em novos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE). Também até 27 de abril, houve 470 debêntures adquiridas, somando R$ 5,7 bilhões, nos empréstimos com lastros em debêntures.

No mesmo prazo, a dispensa de provisionamento por repactuação soma 6 milhões de contratos repactuados, no valor de R$ 355,2 bilhões.

Na apresentação, Souza destacou que os saques nos fundos de investimento no Brasil somaram R$ 90,4 bilhões entre 1º de março e 23 de abril.

Por fim, o diretor fez considerações sobre a estabilidade financeira do sistema. “O Comef (Comitê de Estabilidade Financeira) avaliou a evolução do crédito e dos preços dos ativos no país e considerou que o crescimento do crédito em curso é consistente com a manutenção da estabilidade financeira”, disse. “Os bancos em geral mantêm voluntariamente capital e liquidez em níveis superiores aos requerimentos mínimos prudenciais, e sua resiliência é verificada por meio de testes de estresse.”

Ele ainda chamou atenção para o fato de as instituições financeiras manterem “provisão compatível com o nível de risco dos ativos”.

Na entrevista, Souza afirmou ainda que instituições financeiras de todos os tamanhos vêm funcionando normalmente, sem maiores riscos. “No momento o BC não tem nenhum indício de que algo esteja ocorrendo com o segmento de bancos pequenos e médios”, afirmou. “Ao contrário, os dados mostram que todos os segmentos estão funcionando.”

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