{"id":673,"date":"2016-10-18T12:03:26","date_gmt":"2016-10-18T12:03:26","guid":{"rendered":"http:\/\/artesp.org.br\/?p=673"},"modified":"2016-10-18T12:03:26","modified_gmt":"2016-10-18T12:03:26","slug":"estudo-aponta-a-sobrevalorizacao-do-real-como-um-dos-entraves-para-a-recuperacao-da-industria-de-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/artesp.org.br\/?p=673","title":{"rendered":"Estudo aponta a sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do real como um dos entraves para a recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A escalada do c\u00e2mbio e os per\u00edodos de desalinhamento com a realidade da moeda brasileira continuam a causar danos \u00e0 ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no Brasil. A conclus\u00e3o \u00e9 de <strong>estudo sobre o impacto da cota\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio no setor<\/strong>, realizado por dois especialistas da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp).<\/p>\n<p>O levantamento, elaborado por Antonio Carlos Teixeira \u00c1lvares, presidente do Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Estamparia e Metais (Siniem), e o economista Guilherme Caldo Moreira, gerente do Departamento de Pesquisas e Estudos Econ\u00f4micos (Depecon), atesta, a partir de indicadores hist\u00f3ricos, os efeitos negativos da sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do real para o segmento. Embasados na pesquisa, eles defendem a ado\u00e7\u00e3o de uma taxa de c\u00e2mbio de equil\u00edbrio como primeiro passo para a retomada do crescimento econ\u00f4mico no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cEsse momento de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 estrat\u00e9gico para a defini\u00e7\u00e3o de uma a\u00e7\u00e3o governamental clara nesse campo, que favore\u00e7a a recupera\u00e7\u00e3o do setor produtivo e, em particular, da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, um dos pilares da economia para a retomada do crescimento\u201d, afirma o coautor do estudo Antonio Carlos Teixeira \u00c1lvares.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise adotou como ponto de partida a cria\u00e7\u00e3o do real, que levou a uma indexa\u00e7\u00e3o di\u00e1ria da economia ao d\u00f3lar. Antes de se consolidar como moeda corrente no Brasil, o real foi ancorado na URV (Unidade Real de Valor), em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1994. A URV valia na \u00e9poca 647,50 cruzeiros reais (cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar norte-americano no dia anterior), e deu in\u00edcio a uma evolu\u00e7\u00e3o di\u00e1ria espelhada no c\u00e2mbio. Ao entrar oficialmente em circula\u00e7\u00e3o, em 1\u00ba de julho de 1994, com a URV de 2.750,00 (cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar em 30 de junho), os valores expressos em cruzeiros reais foram convertidos na nova moeda, na paridade de R$ 1,00 para US$ 1,00.<\/p>\n<p>Os indicadores do estudo s\u00e3o analisados a partir da ado\u00e7\u00e3o desse mecanismo engenhoso, que estabeleceu uma esp\u00e9cie de dolariza\u00e7\u00e3o total dos pre\u00e7os, sem exigir a substitui\u00e7\u00e3o da moeda. Assim, a data de 30 de junho de 1994 foi definida como o marco referencial para o c\u00e1lculo de uma hipot\u00e9tica taxa de c\u00e2mbio de equil\u00edbrio. As diferen\u00e7as entre o indicador oficial e esse referencial foram analisadas at\u00e9 31 de julho de 2016, considerando a infla\u00e7\u00e3o brasileira e a norte-americana no per\u00edodo. Como resultado, foi poss\u00edvel mensurar o impacto do c\u00e2mbio no setor produtivo ao longo dessas duas d\u00e9cadas, e detectar a import\u00e2ncia desse fator no momento em que se busca um novo direcionamento para a pol\u00edtica econ\u00f4mica no Brasil.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, em 31 de julho de 2016, a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar em equil\u00edbrio com a da data de cria\u00e7\u00e3o do real apontava R$ 3,40 por d\u00f3lar americano, indicando uma sens\u00edvel contraposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cota\u00e7\u00e3o efetiva.<\/p>\n<p>Quando confrontada com a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e o PIB, a evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do c\u00e2mbio mostra um desalinhamento, ao longo de 11 trimestres, entre a valoriza\u00e7\u00e3o do real e a\u00a0 queda de participa\u00e7\u00e3o do setor industrial no PIB brasileiro.<\/p>\n<p>Fica clara a conex\u00e3o entre esses fatores. Sempre que ocorre a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira, aumenta a participa\u00e7\u00e3o do setor industrial na gera\u00e7\u00e3o de riqueza no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Assim, a conclus\u00e3o do estudo serve de alerta \u00e0s autoridades no sentido de conscientizar para as armadilhas da sobrevaloriza\u00e7\u00e3o do real, e os consequentes efeitos dessa pol\u00edtica no setor produtivo. \u201cO crescimento econ\u00f4mico passa, inexoravelmente, pela recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria. \u00c9 necess\u00e1rio, portanto, assegurar as condi\u00e7\u00f5es para que ela possa reassumir seu papel hist\u00f3rico nesse processo\u201d, argumenta Teixeira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A escalada do c\u00e2mbio e os per\u00edodos de desalinhamento com a realidade da moeda brasileira continuam a causar danos \u00e0 ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o no Brasil. 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