{"id":4141,"date":"2020-01-15T18:18:31","date_gmt":"2020-01-15T18:18:31","guid":{"rendered":"http:\/\/artesp.org.br\/?p=4141"},"modified":"2020-01-15T18:18:40","modified_gmt":"2020-01-15T18:18:40","slug":"investimento-em-infraestrutura-pode-voltar-a-23-do-pib","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/artesp.org.br\/?p=4141","title":{"rendered":"Investimento em infraestrutura pode voltar a 2,3% do PIB"},"content":{"rendered":"\n<p>Depois de cair a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo da recess\u00e3o e da lenta recupera\u00e7\u00e3o da economia que se seguiu, os investimentos em infraestrutura no Brasil devem voltar a superar esse percentual neste ano, segundo estimativa da Inter.B Consultoria. De 2001 a 2013, a m\u00e9dia de aportes na \u00e1rea, incluindo setor privado e p\u00fablico, foi de 2,15% do PIB. Em 2014, a cifra alcan\u00e7ou 2,31%. A partir dali passou a cair. Em 2019, somaram 1,87% do produto.<br><br>Podemos chegar a 2,2% ou 2,3% do PIB. Existe excesso de demanda por infraestrutura, e falta oferta. Passamos muitos anos investindo menos de 2% do PIB, diz Claudio Frischtak, s\u00f3cio da Inter.B, um dos maiores especialistas do pa\u00eds na \u00e1rea. Em termos nominais, seria um aumento de R$ 25 bilh\u00f5es nos aportes. Para 2019, a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que houve aumento de R$ 7,3 bilh\u00f5es sobre 2018.<br><br>Apesar do otimismo, o n\u00famero \u00e9 t\u00edmido. Precisamos investir 4,2% do PIB durante 20 anos seguidos. Estamos muito aqu\u00e9m disso, afirma o economista. Seria suficiente para atingir um estoque de capital em infraestrutura de 60,4% do PIB, comparado a 36,2% em 2018, dado mais recente calculado pela consultoria. Para ter uma ideia da deprecia\u00e7\u00e3o do setor, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980 esse estoque estava em 58%.<br><br>Em 2020, a maior parte dos aportes deve vir novamente do setor privado dada a escassez de recursos dos governos federal, estaduais e municipais. Nos \u00faltimos anos, o aporte privado tem sido de cerca de 60% do total. Segundo dados trimestrais do Tesouro Nacional, desde 2016 o saldo dos investimentos dessas tr\u00eas esferas p\u00fablicas \u00e9 predominantemente negativo, com apenas duas exce\u00e7\u00f5es: os \u00faltimos trimestres de 2016 e de 2018. Isso quer dizer que os novos aportes em obras e projetos n\u00e3o cobriram nem a deprecia\u00e7\u00e3o do estoque de capital.<br><br>Em 2020, entre os fatores que devem incentivar o investimento em infraestrutura, Frischtak cita a recupera\u00e7\u00e3o c\u00edclica da economia, que tem elevado a confian\u00e7a dos empres\u00e1rios e sua inten\u00e7\u00e3o de investir, a redu\u00e7\u00e3o do custo de capital via queda de\u00a0<strong>juros<\/strong>\u00a0e a consequente amplia\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito de longo prazo por meio do mercado de capitais. A estrutura\u00e7\u00e3o do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), ainda no governo Michel Temer, tamb\u00e9m entra na conta. A carteira do PPI tem crescido e o ministro Tarc\u00edsio Freitas tem feito bom trabalho, diz. H\u00e1 uma disposi\u00e7\u00e3o de pensar a infraestrutura no m\u00e9dio e no longo prazo. Nos Estados tamb\u00e9m est\u00e3o sendo preparadas concess\u00f5es para dois a tr\u00eas anos \u00e0 frente.<br><br>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias de Base (Abdib) tamb\u00e9m v\u00ea avan\u00e7o nos investimentos neste ano, para 1,87% do PIB, um pouco acima de 2019 (estimativa de 1,86%) e 2018 (1,81%). O dado, que exclui aportes em \u00f3leo e g\u00e1s, representa um acr\u00e9scimo de 9%, ou R$ 12 bilh\u00f5es, em rela\u00e7\u00e3o ao investido ao ano passado. Os valores correspondem \u00e0 soma dos investimentos que devem ser feitos em transportes, energia el\u00e9trica, saneamento e telecomunica\u00e7\u00f5es. O n\u00famero pode ser maior, \u00e9 uma estimativa conservadora, afirma Venilton Tadini, presidente da Abdib.<br><br>De acordo com os especialistas, a \u00e1rea de maior destaque neste ano ser\u00e1 a de log\u00edstica. O programa de concess\u00f5es rodovi\u00e1rias \u00e9 forte. Deve haver avan\u00e7o em ferrovias. E h\u00e1 as concess\u00f5es de aeroportos em bloco, lembra Tadini.<br><br>Mapeamento da agenda de concess\u00f5es feito por economistas do Ita\u00fa Unibanco com base em informa\u00e7\u00f5es do PPI indica que em 2020 sete trechos de rodovias federais devem ser leiloados, al\u00e9m de quatro de rodovias estaduais. No quarto trimestre deve ocorrer a sexta rodada de concess\u00f5es de aeroportos, com 22 terminais. H\u00e1 previs\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o de cinco portos, incluindo Santos (SP), Paranagu\u00e1 (PR) e Suape (PE).<br><br>Tadini, da Abdib, tamb\u00e9m v\u00ea avan\u00e7o no setor ferrovi\u00e1rio, que teve sua primeira licita\u00e7\u00e3o em 2019, ap\u00f3s dez anos. A Ferrovia Norte-Sul foi leiloada com investimentos previstos de R$ 2,7 bilh\u00f5es em 1.537 quil\u00f4metros. Os processos de renova\u00e7\u00e3o de concess\u00f5es e novos projetos que est\u00e3o sendo estruturados podem injetar R$ 62 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos anos, diz.<br><br>O Brasil possui uma densidade ferrovi\u00e1ria de apenas 3,5 km\/mil km2, segundo a Abdib. Em compara\u00e7\u00e3o, outros pa\u00edses de dimens\u00e3o continental similar t\u00eam n\u00fameros melhores, como Estados Unidos (29,9 km\/mil km2), China (13,2 km\/mil km2) e Canad\u00e1 (7,8 km\/mil km2).<br><br>Tadini e Frischtak dizem que, em saneamento b\u00e1sico, historicamente relegado a segundo plano no pa\u00eds, os investimentos devem se intensificar apenas no ano que vem, ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o do marco regulat\u00f3rio no Congresso. O texto voltou ao Senado depois de passar pela C\u00e2mara dos Deputados. Apenas 53% da popula\u00e7\u00e3o tem acesso a coleta e tratamento de esgoto.<br><br>Energia \u00e9 uma \u00e1rea com problemas para serem resolvidos, mas com bom potencial, diz Frischtak. O Nordeste se tornou um polo de energia de energia solar e e\u00f3lica. O Cear\u00e1 lan\u00e7ou um atlas e\u00f3lico\/solar mapeando todo o potencial local e outros Estados da regi\u00e3o devem seguir esse exemplo, afirma.<br><br>Quanto a quem vai colocar dinheiro nos projetos de infraestrutura brasileiros, os especialistas afirmaram que os investidores aparecer\u00e3o, daqui e de fora. E citam como exemplo o leil\u00e3o da rodovia Piracicaba-Panorama (Pipa), vencido pelo cons\u00f3rcio formado pelo fundo brasileiro P\u00e1tria e o GIC, soberano de Cingapura, na semana passada. N\u00e3o h\u00e1 escassez de capital no mundo, h\u00e1 apetite por ativos, diz Frischtak.<br><br>Um ru\u00eddo nesse cen\u00e1rio \u00e9 a quest\u00e3o ambiental, em que a repercuss\u00e3o da ret\u00f3rica do presidente Jair Bolsonaro e de seu ministro Ricardo Salles foi considerada forte e ruim. A quest\u00e3o ambiental, a preocupa\u00e7\u00e3o com o aquecimento global \u00e9 algo mainstream para os investidores hoje. Os fundos mudaram dramaticamente sua vis\u00e3o. O governo subestimou a import\u00e2ncia do tema, afirma o economista. N\u00e3o tratar do ambiente adequadamente, diz, \u00e9 um tiro no p\u00e9.<br><br>Ricardo Balistiero, economista especialista em financiamento de infraestrutura e professor do Instituto Mau\u00e1 de Tecnologia, avalia que a equipe que toca a agenda da infraestrutura no governo \u00e9 boa, mas a administra\u00e7\u00e3o federal deveria cuidar para haver um ambiente pol\u00edtico-institucional mais est\u00e1vel. Ele tamb\u00e9m chama aten\u00e7\u00e3o para a modelagem dos projetos, historicamente um problema brasileiro, que precisa ser melhorada. A quest\u00e3o regulat\u00f3ria tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 consolidada. \u00c9 falha, um dos nossos maiores problemas em termos de ambiente de neg\u00f3cios, diz o professor, embora pondere ver com otimismo as perspectivas para o setor.<br><br>A despeito das proje\u00e7\u00f5es de crescimento nos aportes ao longo do ano, analistas acreditam que o impacto econ\u00f4mico desses investimentos ser\u00e1 mais sentido nos pr\u00f3ximos anos. Em um relat\u00f3rio divulgado no fim de 2019, o Ita\u00fa Unibanco estima que a agenda mapeada pelo\u00a0banco\u00a0teria impacto de apenas 0,1% do PIB em 2020. Em 2021 e 2022 o impacto seria de 0,3% em cada um dos anos. O c\u00e1lculo j\u00e1 considera as estimativas para o efeito multiplicador do investimento no PIB, que \u00e9 de 1,5 nas contas da institui\u00e7\u00e3o. O Santander, em relat\u00f3rio enviado a clientes nesta semana, diz que a agenda de privatiza\u00e7\u00f5es, concess\u00f5es e parceria p\u00fablico privadas (PPPs) deva avan\u00e7ar mais a partir de 2021, j\u00e1 que parte dela depende de negocia\u00e7\u00f5es com o Congresso. O\u00a0banco\u00a0acredita, contudo, que parte das a\u00e7\u00f5es previstas no PPI para 2020, no total de R$ 75,2 bilh\u00f5es, R$ 21 bilh\u00f5es, ser\u00e1 entregue.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: Valor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de cair a menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo da recess\u00e3o e da lenta recupera\u00e7\u00e3o da economia que se seguiu, os investimentos em infraestrutura no Brasil devem voltar a superar esse percentual neste ano, segundo estimativa da Inter.B Consultoria. 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A previs\u00e3o, baseada nos sinais positivos da economia e nas a\u00e7\u00f5es desenvolvidas pelo pr\u00f3prio setor, foi divulgada em coletiva de\u2026","rel":"","context":"Em &quot;Destaque&quot;","img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/artesp.org.br\/wp-content\/uploads\/2017\/06\/MG_8439.jpg?fit=1024%2C683&ssl=1&resize=350%2C200","width":350,"height":200},"classes":[]},{"id":7055,"url":"https:\/\/artesp.org.br\/?p=7055","url_meta":{"origin":4141,"position":1},"title":"Resultado positivo do PIB de 2023 confirma a relev\u00e2ncia dos pequenos neg\u00f3cios","date":"01\/03\/2024","format":false,"excerpt":"Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) apresentou os dados do quarto trimestre do ano nesta sexta-feira (1\u00ba)","rel":"","context":"Em &quot;Destaque&quot;","img":{"alt_text":"","src":"","width":0,"height":0},"classes":[]},{"id":566,"url":"https:\/\/artesp.org.br\/?p=566","url_meta":{"origin":4141,"position":2},"title":"Brasil fecha 2015 com carga tribut\u00e1ria de 32,66% do PIB","date":"20\/09\/2016","format":false,"excerpt":"A carga tribut\u00e1ria bruta do Brasil subiu de 32,42% em 2014 para 32,66% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015, diretamente afetada pelo encolhimento da economia\u00a0no ano, divulgou a Receita Federal na segunda-feira (19). 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