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Especialistas do mercado de tintas estão otimistas com o futuro do setor no curto e no médio prazo

A retomada do crescimento já começou. Foi com essa impressão que centenas de executivos do setor de tintas saíram do 11º Fórum da Industria de Tintas, realizado pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), nesta quarta-feira (24), em São Paulo.

Dilson Ferreira, presidente da Abrafati, enalteceu que a associação tem um objetivo bem claro, que permeia a entidade há muito tempo, de promover um desenvolvimento setorial sustentável. “Nós temos de reconhecer o bom relacionamento e o trabalho em conjunto que Abrafati tem com os fornecedores em geral. Nossa meta é sempre valorizar a cadeia produtiva de tintas.”

Dilson lembrou que, nos últimos anos, pelo momento de dificuldade economia, o mercado brasileiro de tintas perdeu muito na comparação com os mercados internacionais de consumo de tinta per capita. “Não só pelo aspecto econômico, mas também pelo valor agregado. Esses números mostram que temos um baixo valor agregado aos produtos”. Porém, o executivo é otimista com o futuro. “Nós sairmos deste período melhor ou pior depende da nossa capacidade como cadeia. Precisamos fazer isso em conjunto. Nós temos de nos concentrar e colocar nossos esforços para que nos próximos meses colocamos a indústria de tinta no lugar onde ela merece estar.”

O otimismo foi confirmado por Luka Barbosa, economista da Superintendência de Pesquisa Econômica do Itaú, que ministrou a primeira palestra sobre o cenário econômico no Brasil.

Três executivos participaram, na sequência, do painel “O mercado sob a ótica dos fornecedores de matéria prima.  José Borges Mathias, presidente da Rhodia-Solway Group América Latina, afirmou que “nós não queremos nada barato, queremos algo competitivo, o resto trabalhamos para atingir os melhores níveis e patamares industriais. Estamos num ponto que agora é seguir em frente e crescer, será mais fácil se fizermos todos juntos.”

Já Alessandro Moraes, diretor de Negócios e Soluções para Infraestrutura da Dow para América Latina, garante que a companhia sempre acreditou no Brasil, “Chegou o momento da retomada. Mesmo no período de recessão continuamos investindo no Brasil. As soluções têm de ser sustentáveis e viáveis para o mercado local. Estamos investindo muito nisso para buscar nossas inovações e atender a demanda do mercado que está crescendo. Quem participa do mercado há vários anos sabe que a retomada acontece rapidamente e estamos preparados”, garantiu.

Para Maritz Winterstein, diretor da área de Tintas, Adesivos e Especialidades da Covestro para América Latina, uma solução para a crise, no curto prazo, são as tecnologias rápidas, que pode reduzir uma camada de pintura e economizar dinheiro. “Outro ponto é focar na troca de informações. Nós temos, por exemplo, ‘dias técnicos’ com os consumidores para chegar a inovação possível para aquele mercado e com isso oferecer para a indústria algo que promova a competitividade.”

Já Claudio Elias Conz, membro do Conselho Consultivo da Abrafati e presidente-executivo da Associação Nacional dos Comerciantes de Material (Anamaco), palestrou sobre os desafios e oportunidades na Construção Civil. “Toda mudança de governo é muito complicada, muda ministro, muda secretário e perdemos tudo que vinha sendo feito na gestão passada. Nós já começamos a nos relacionar com os novos gestores e temos uma ótima expectativa. Eles sabem que o crescimento econômico e a diminuição do desemprego passam pelo investimento na construção civil”, revelou.

O cenário político brasileiro foi abordado pelo jornalista político Gerson Camarotti, comentarista da GloboNews e mestre em ciência política. Ele acredita que o presidente Interino Michel Temer tem um prazo curto de paciência com o governo. “Nós já vemos que tem uma disputa interna e talvez esse seja o grande problema do governo. O Temer, nesses 100 de governo, faz movimentos dúbios. Passando a ser presidente de fato, ele não vai precisar negociar com o governo então deve usar seu capital político para fazer reformas e peitar corporações.”

Quem encerrou o evento foi Freddy Carrillo, presidente do Conselho Diretivo da Abrafati e presidente da Sherwin-Williams no Brasil, que fez uma análise conjuntural do setor de tintas e suas perspectivas.

Todos os indicadores de 2015 são negativos e afetam significativamente no nosso negócio. Eu tenho ouvido que são os piores dos últimos 25 anos.  Para ele, os sinais mostram que chegamos ao fundo do poço e que agora é hora da retomada.

“É um começo, nós temos que continuar trabalhando juntos na construção de valor e da importância do consumo das tintas. Trabalhar com os parceiros do ciclo final também é fundamental. A revenda faz parte do nosso sucesso. Junto com o varejo que construirmos nossas marcas e nosso produtos.”

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